Tempo de qualidade com o filhos: dicas para aproveitar as férias!

Conforme sinalizei nos posts anteriores, trarei, semanalmente, dicas para viver um tempo de qualidade com pessoas que lhe são importantes: você mesmo, filhos e família, parceiros afetivos.

Como Psicóloga de crianças e adolescentes, preferi essa semana não trazer uma única dica, mas várias, relacionadas à importância de se estabelecer interações que favoreçam a afetividade e a aprendizagem de regras e valores. Estamos iniciando um tempo de férias escolares e a maioria dos pais me relatam não saber ao certo como conciliar trabalho e família.

Ao procurarem psicoterapia para os filhos, é comum os pais se queixarem da dificuldade em estabelecer regras e comportamentos de obediência, de que os filhos vão mal na escola, embora, relatem, muitas vezes, que não tem tempo ou paciência para acompanhar os estudos. Relatam que os filhos são distantes, que não querem se envolver em atividades com a família (em especial os adolescentes), mas não sabem descrever o que os filhos estão vendo na internet, do que gostam de conversar ou do que gostam de brincar.
Para começar, sugiro que você responda à algumas perguntas: Você conhece seu filho? Qual a comida favorita dele? As cores? Estilo musical? Quais as brincadeiras que prefere? Sabe me dizer quais são os sonhos do seu filho?
Quantas horas você chega a passar com seu filho por dia? E quanto tempo você passa conectado ao celular e demais elementos tecnológicos (televisão também conta)?
Quais são as atividades que a família costuma realizar em conjunto durante a semana (passeios, refeições)?
Bem, para aqueles que perceberam a necessidade de se dedicar um pouco mais aos filhos, uma boa notícia, ao longo desse texto, haverá dicas de como fazer isso.  Para aqueles que avaliam que já tem conseguido estabelecer uma interação afetiva importante, essas dicas também são válidas.
Campanha – se conecte ao que importa
Voltando a pergunta: Quantas horas você chega a passar com seu filho por dia? E quanto tempo você passa conectado ao celular e demais elementos tecnológicos?

Foi criada uma campanha de prevenção aos efeitos nocivos do uso intensivo da tecnologia, idealizada pelo programa Dedica – Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, acolhido na Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas. A campanha conta ainda com a parceria e apoio institucional do Conselho Regional de Medicina do Paraná. O objetivo é o enfrentamento da violência virtual, que se inicia com a negligência dos pais e cuidadores de grande parte das crianças e adolescentes pelo desvio de seus olhares e atenção para as telas do mundo virtual.  É uma das formas mais atuais de abandono e pode trazer consequências importantes como o comprometimento da autoestima, isolamento social, desenvolvimento de dependência tecnológica.

Como forma de evitar esse hábito dentro da sua casa, estabeleça horários para conferir e-mails ou redes sociais que não interfiram na rotina familiar. Deixe o telefone de lado, desligue a TV e se dedique a atividades com seus filhos, como contar histórias, brincadeiras, fazer cabaninhas, hora das cócegas, converse sobre o seu dia e pergunte para seu filho sobre o dia dele.
Sente que é difícil pensar em atividades que não sejam tecnológicas? Confira minhas dicas sobre um tempo de qualidade.

Jogos e brincadeiras com os filhos, livres e estruturadas:
Às vezes, temos a sensação que essa geração já nasceu sabendo de tudo, ou que a escola ensina coisas que nós, pais, não aprendemos e aí, parece que não temos muita coisa interessante para fazer ou ensinar! Será?
É bem verdade, que para a maioria dos pais de hoje, a internet ainda não existia durante sua infância, e mesmo para os que são da década de 80/90 o que havia disponível era bem diferente comparado ao avanço tecnológico atual. Mas, a questão é justamente essa! O que havia na sua infância? Percebo que toda criança e adolescente necessita e se interessa em saber da sua origem! E isso implica em saber a história dos pais. Você pode criar momentos para compartilhar histórias da própria infância, do que brincava, como fazia para passar o tempo, dividir história de família, cozinhar algo juntos que tenha gosto de infância, ensinar uma brincadeira que você fazia e pedir para o filho ensinar algo que saiba fazer. Tal interação favorece, além do fortalecimento do vínculo familiar, a construção de identidade, permite que sejam validados os relatos e sentimentos de ambas as partes, pois é um exercício de falar e ouvir.

Além disso, você pode usar como apoio algum material lúdico, como jogos interativos ou um livro de experiências.
Algo novo, em que todo mundo vai aprender junto! Essa dica dá para usar nas férias e em todos os dias do ano: Grandes idéias para pequenos cientistas – 365 experiências. São experiências variadas, que utilizam conceitos de física, química, observação da natureza. Você vai aprender a fazer com seu filho desde um avião de papel a um vulcão, ou um mapa do tesouro invisível que aparece quando exposto a uma fonte de calor.

Esse outro cabe na bolsa ou no bolso: Caixinha anti-tédio para crianças: 40 idéias de brincadeiras. São sugestões de brincadeiras variadas, que demandam poucos recursos, quando a criatividade estiver esgotada.

Jogos de tabuleiro: Jogo Se Vira.
Se seus filhos se interessam por jogos de tabuleiro, esse é simples e pode ser jogado por qualquer idade e a diversão é garantida. São solicitadas tarefas como: Equilibre a bolinha embaixo do queixo, abrace o jogador do lado, ponha a carta sobre a sua cabeça! De maneira acumulativa, cada carta vale pontos que correspondem às casas que deverão ser andadas no tabuleiro. No final do jogo, todos os jogadores vão acumulando funções e, muitas vezes, vão ter que colaborar uns com os outros para concluir as tarefas, favorecendo contato físico, colaboração, parceria e um tempo de divertimento.
E para a turma da pipoca, existem muitos filmes que propiciam que a família fique reunida e possa reafirmar os laços e aprender algo juntos. As possibilidades são infinitas, procurei escolher algumas dicas, contemplando diferentes histórias familiares e faixas etárias diversas.
Para todas as famílias e, especialmente para aquelas que se formaram a partir dos laços do coração, indico o Filme animado: Lilo & Stitch 2 - Stitch Deu Defeito.

De um jeito emocionante e bem humorado ele fala das desventuras que toda família vive, é um bom recurso para fortalecer os vínculos familiares e de amizade que estão sendo construídos. Em especial na cena que o Stitch fala: Essa é a minha família. Eu achei. Sozinho. Eu achei. É pequena e incompleta. Mas é boa. É, é boa. Ohana quer dizer família, família quer dizer NUNCA mais abandonar, ou esquecer.  

Dica: Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o filme. Esse agrada diferentes gerações, é bastante interessante para crianças e adultos. É um filme que aborda amizade, generosidade, auto-aceitação e auto-valorização.


Conta a história de um menino azarado e atrapalhado que se apaixona pela nova colega de classe. Ao longo do filme é possível observar cada personagem com características muito diferentes, com pequenos conflitos e cuidados com relação aos amigos, a ênfase é dada em Charlie Brown com várias inseguranças e dúvidas existenciais.

O filme mostra um pouco de todos nós, em algum momento da vida, nos percebemos inseguros e preocupados com o que pensaram de nossos erros e se somos dignos de amizade ou amor de quem admiramos. E, assim, com humor e delicadeza, que o filme mostra a importância da amizade e de buscar aquilo que nos faz bem, que temos mais qualidades do que imaginamos. Quando nos permitimos ser do jeito que somos, genuínos, nos ligamos aos outros de maneira sincera.

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